quinta-feira, 19 de março de 2009

Meu velho

MEU VELHO


Um pouco de ti ia jazendo
nos dias em que esperança espreitava ,
Logo homem que me mostrou a vida
como uma luta que não lhe amedrontava .


Disseste-me:«A pureza do teu ser,está em seres tu próprio.»


Eu via este homem ali deitado,quieto
no silêncio de todos os conselhos que me deu
Não tinha vergonha de ser ele analfabeto
porque o analfabeto deste mundo ainda era eu.



Disseste-me:«Podes embriagar -te pelos sonhos
mas na presente realidade tens que estar sempre sóbrio.»



«Quem viu este meu velho conhecer o mar
como a palma da sua mão?»
Eu vi e sabia que o mar era a sua alma,o seu respirar,
depois da sua família a sua segunda paixão.



Disseste-me:«O mar pode ser o teu inimigo
mas não esqueças o que te ensinei.
na dificuldade,ainda pode ser o teu ganha pão.»


Meu velho foste o verdadeiro amigo
que sei que nunca vou ter .
Era o teu casulo,ia para todo o lado contigo
nas viagens por essas estradas, que nunca vou esquecer.


Nunca vi tanta tristeza expressa no teu olhar
e num aperto em minha mão a ânsia de falar.
«O que podia eu fazer ou dizer ?»
Pois se existe outra vida,estarias no ultimo suspiro
sabendo eu que Deus te iria esperar.






Disseste-me:”Se um dia eu partir e nunca mais voltar
já sabes para onde fui,encontra-me nos teus pensamentos,
pois sempre me iras ver e poderás comigo conversar.”



Este homem,”meu velho” ,és tu pai,
que nem o mar ira trazer
e nem o dia de amanha me fará esperar por ti .
Porque em algum dia temos todos que morrer.



Eu digo-te meu pai:« Dia dezanove de Março
não tem tempo e nem espaço que conte o que contigo vivi.
Podes não estar presente,mas eterno é o nosso laço
nestas palavras que sentem o que para ti escrevi.»

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