Amantes
Podeis acreditar amantes
que amo na rebeldia do amor.
Não sabeis? Pois eu amo a todos instantes
este afecto embebido em fulgor.
Sabeis ler o meu meloso olhar?
Ele não vislumbra-se em enganador amor.
Sabeis amadas? Até podem desconfiar
mas este límpido sentimento não é ruim autor.
Não me conheceis tão bem amantes,
pois só para a poesia é que sou sedutor.
Já houve para mim amores duráveis e decentes
e agora são eles revelados errantes
em limitada dura de violenta dor.
Sabeis a alma que me conquista?
Nenhuma de vós é devida de a avassalar.
Sou poeta e não Cristo com as fístulas á vista
para vós amantes terem defronte o testemunho
da minha mais exacta feição de amar.
Não, não mais sabeis amantes,
pensais que é só no meu provejo físico
que se recolhe todo o meu amor.
Para vós o sexo é útil em noites alarmantes
e só desejam um pedacinho deste real esplendor.
Recuso ter pejo na elegância do meu amor
não quero ser hábito em nenhuma amante,
a cura instantânea da sua incorrigível ferida.
Sou homem que quer amar e estar adiante
para a verdadeira amada que é incorrida .
sábado, 6 de setembro de 2008
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